Bolsonaro: eleição no Congresso, pesquisa e impeachment

O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia de lançamento de programa de qualificação do atendimento de agentes comunitários de saúde, o “Saúde com Agente”.

Neste espaço já foi abordado, por mais de uma vez, que se engana quem imagina ser o presidente Jair Bolsonaro um Jeca Tatu que, por acaso, chegou ao poder. Pode até ter sido por acidente de percurso da história do País ou por erro coletivo da maioria, como gostam de defender alguns políticos e observadores. A própria vitória, em 2018, do veterano deputado, contra todos os prognósticos da época, foi uma engenhosa percepção dele e dos seus, que souberam tirar proveito do contexto e das circunstâncias de então – não entrando aqui no mérito da estratégia utilizada.

O fato é que 25 meses depois da posse, o presidente está prestes a, novamente, passar a régua na oposição, setores da imprensa – sim, há nichos contra –, e relevantes segmentos da sociedade civil, na eleição para o comando do Congresso Nacional. Não havendo um terremoto político, capaz de fazer tremer o espelho d´água do Lago Paranoá, os dois candidatos de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) deverá ser eleito, nesta segunda-feira (1º), presidente da Câmara dos Deputados, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) chefe do Senado da República.

Pacheco está virtualmente eleito. O resultado é esperado desde quarta-feira (27), quando o MDB entregou a cabeça da filiada Simone Tebet (MS), candidata a presidente, ao DEM, em troca de participação na Mesa Diretora pelos próximos dois anos legislativos. Já Baleia Rossi (MDB-SP) viu sua candidatura fazer água na proporção em que deputados eram chamados a Brasília, para acertar liberação de verbas e nomeações em estruturas do Governo Federal nos Estados Brasil afora.

Intenção de voto e aliança na oposição
O instituto Paraná Pesquisas projetou que Bolsonaro tem mais de 1/3 das intenções de voto para presidente, em qualquer cenário, enquanto seus principais adversários que melhor pontuam oscilam em índices que vão de 12% (Ciro Gomes e Sérgio Moro) a 17% (Lula). Na cotação do dia, está claro que ou um arco de aliança é construído entre as forças antagônicas ou o atual presidente vai surfar em 2022. Outra: a proximidade entre os números da oposição – considerando-se a margem de erro de dois pontos percentuais -, vai dificultar os entendimentos para a formação de uma frente ampla já no primeiro turno.

Com vitória, sem impeachment
Confirmando-se as projeções, Lira presidente significará “adeus” aos pedidos de abertura de processo por crime de responsabilidade contra Bolsonaro – o que poderia render impeachment. Até mesmo porque, ao optarem pelo líder do centrão, os parlamentares mandarão um recado muito claro para a sociedade: a maioria está com o presidente.

Legislativos: 2022 e início de gestão
Os trabalhos na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Fortaleza, que recomeçam nesta segunda-feira (1º), devem ser observados de perto. Do plano estadual, virão os primeiros movimentos da disputa de 2022. No municipal, será a estreia de novas forças – de apoio e de oposição – em torno da iniciante gestão do prefeito José Sarto (PDT).

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