Sob Bolsonaro, Exército perde guerra que não é das Forças Armadas

A política na caserna é muito simples: há uma rígida linha de comando, brutalmente hierárquica, na qual poucos mandam e o restante obedece, sem discussão de mérito. Ponto. Aqui, fora dos quartéis, é essa celeuma do dia a dia, à qual nos acostumamos a acompanhar pelo noticiário, de muitas vozes, cores, tensão, crises e escolhas diretas de representantes, pelo voto secreto e livre. É a velha e boa democracia, que como já foi dito, é imperfeita, mas que é o que menos pior o homem conseguiu construir até aqui, na sua milenar vida em coletividade. Há, portanto, muitas diferenças entre a categoria dos verde-oliva e a sociedade civil.

São mundos tão diferentes, que até mesmo a justiça que vale para cá não vale para lá, e vice-versa. Mesmo assim, em maio de 2020, em meio a todas estas e outras incongruências, Eduardo Pazuello foi para o ministério da Saúde, gerir a maior crise sanitária desta geração. Oito meses depois, tem contra si um inquérito no Supremo Tribunal Federal, uma investigação da Polícia Federal e está prestes a ser alvo de CPI no Congresso Nacional. Na pior das hipóteses, o ministro pode ser condenado por crime de responsabilidade e homicídio culposo, na medida em que se omitiu e assumiu posturas que, no conjunto, concorrem para a morte de pessoas.

Da interinidade e erros a escudeiro
Pazuello nunca teve vida fácil na Saúde. Antes de ser efetivado, ficou quatro meses na interinidade. Sem conhecimento da área, cometeu erros de aprendizagem no enfrentamento à pandemia de covid-19. Sem tato, criou ojeriza em setores da imprensa. Desde o início, aceitou ser escudeiro do capitão, cujo governo molda-se às pressões e interesses de ocasião. Tudo isso, sem ter o respaldo do Exército Brasileiro. Pazuello está numa guerra que não é das Forças Armadas.

A OAB e as articulações para o TST
O amazonense José Alberto Simonetti, o Beto Simonetti, vem despontando no meio jurídico para substituir Felipe Santa Cruz na presidência nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Até aí tudo bem, não fosse o peso da próxima gestão na formação de listas para tribunais. Em particular, para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O caminho entre Fortaleza e Brasília
Pelo menos três das 27 vagas do TST serão renovadas no governo Bolsonaro. No Ceará, advogados tarimbados, que militam no direito trabalhista, já se articulam, de olho nas indicações. Um deles confidenciou à Coluna que Simonetti pode ser o caminho mais curto entre seu lustroso escritório em Fortaleza e uma cadeira de ministro, em Brasília.

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