“Guerra da vacina” iguala governos Bolsonaro e Dória

Governador de São Paulo e presidente da República duelam em torno do imunizante / Marcos Corrêa / PR


É um péssimo sinal quando a politicagem se sobressai em reuniões de gestores que deveriam tratar de temas caríssimos à sociedade. Sobretudo, em se tratando de saúde pública, em meio a uma pandemia, como a que o País atravessa. Foi lamentável, portanto, de lado a lado, o duelo verbal entre o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), durante reunião de chefes de executivos estaduais com o titular da Esplanada. Está errado o ministro, em mais uma vez usar a ainda respeitada Anvisa como obstáculo à tão esperada vacina contra a covid-19 – quando a agência deveria ser uma forte aliada.

Está errado Dória, ao tentar transformar o ambiente em palanque político para 2022. É verdade que o tucano saiu na frente, indo aos principais centros de pesquisa do mundo, em busca do imunizante – quando a maioria dos governadores se consumia em ampliar a rede de atendimento aos contaminados. O tucano também pode estar certo em tentar antecipar o calendário de vacinação. Por que esperar março de 2021, se pode começar em janeiro? Mas, méritos à parte, isso não dá direito ao governador do Estado mais rico do Brasil a puxar para si o protagonismo político, quando o mais importante seria unir forças, para apontar na mesma direção.

Lamentável prévia do que pode ser 2022
João Dória pratica ataques ao presidente Bolsonaro como esporte favorito, atribuindo-lhe convicções pessoais e interesses políticos acima da vida de milhões de brasileiros contaminados ou em vias de entrarem nas tenebrosas estatísticas da covid-19. Mas o que o governador paulista está fazendo, senão também jogando por interesse político, pensando daqui a dois anos, quando fixa em 25 de janeiro – aniversário da Cidade de São Paulo, lembrado pelo próprio -, para começar a campanha de vacinação no Estado? Com sinais trocados, o Instituto Butantan está para o Palácio dos Bandeirantes como a Anvisa está para o Planalto.

Pressão sobre os demais estados e União
Enquanto isso, mais da metade dos estados brasileiros – particularmente os do Norte e Nordeste -, passarão, a partir da referência de São Paulo, a ser pressionados a também adquirirem lotes de vacina, para distribuição e aplicação em sua população. O efeito deverá recair, inclusive, sobre o Governo Federal, que deverá ser obrigado a também botar a mão no bolso e acelerar o processo.

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