Arthur Lira e os planos do Partido Progressista para 2022

Da Coluna Erivaldo Carvalho, do jornal O Otimista, desta sexta/11

O pepista tem as bênçãos do Planalto /Marcelo Camargo – Agência Brasil


Rodrigo Maia ainda se recupera do baque do último final de semana – quando viu suas chances de tentar permanecer no comando da Câmara dos Deputados descerem pelo ralo do Supremo Tribunal Federal. Isso explica a indefinição do nome de seu grupo para sucedê-lo e a sangria que vem sofrendo. Ontem, o pré-candidato à Presidência Marcos Pereira (Republicanos-SP) saiu do bloco de Maia. Lá estão, no todo ou em parte, PP, MDB, DEM, PSDB, Cidadania e PV. Na outra ponta, Arthur Lira (PP-AL), nome apoiado pelo presidente Bolsonaro e já lançado à sucessão de Maia, reúne deputados dos PL, PSD, Avante, Solidariedade, Patriota, Pros e PSC, além do próprio PP. PTB, PSB e até PT devem se somar ao bloco de Lira.

Para quem transita no tapete verde do Congresso Nacional, não há dúvida do expressivo favoritismo do candidato do Planalto para substituir Maia. Os mais empolgados sequer imaginam a disputa em duas etapas – uma característica da Casa, dada a histórica fragmentação das forças. Fazer o próximo presidente seria somente uma das pontas do novelo político. No radar dos pepistas de proa, como o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), chefiar os deputados é um dos primeiros passos para voos muito mais altos. Nas projeções mais ousadas, o PP estaria executando o plano de, uma vez no comando da Câmara e mandando em apetitosos pedaços do Governo, construir a viabilidade para emplacar o vice de Bolsonaro, daqui a dois anos.

Bolsonaro, o filho pródigo
Antes de se aventurar a chefiar a nação, Jair Bolsonaro era filiado ao PP, onde acumulou mandatos de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Quando foi para o então nanico PSL, o hoje presidente deixou no ex-partido colegas do chamado baixo clero da Câmara, a exemplo de Arthur Lira, com quem até hoje cultiva amizade. Atualmente sem partido, o mandatário já admitiu filiar-se a um partido já existente, caso não se materialize a construção do Aliança pelo Brasil. Também não é segredo que o retorno ao PSL, onde tem muitos seguidores, pode ser uma das possibilidades.

Sai DEM, entra PP e MDB
Caso Rodrigo Maia não emplaque seu sucessor para a cadeira hoje ocupada por ele, o protagonismo de seu DEM poderá ter de ceder espaço para o PP de Arthur Lira. O mesmo pode acontecer no Senado, onde o DEM de Davi Alcolumbre será substituído – na cotação do dia -, pelo MDB. Lá, já se articulam nomes de possíveis candidatos à presidência da Casa.

A contabilidade do voto
Ainda incipiente, o clima eleitoral nos dois principais blocos de deputados que deverão disputar a presidência ainda não permite cálculos consistentes. Mas se estima que o grupo de Arthur Lira tenha em torno de 170 votos, contra cerca de 150 do nome ligado a Rodrigo Maia. Para ser eleito no dia 1º de fevereiro de 2021, são necessários 257.

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