As particularidades das eleições municipais em meio à pandemia de Covid-19

Os perigos de aglomeração em tempos de Covid-19 desafiam as autoridades eleitorais

Eleições municipais são, tradicionalmente, pautadas por questões locais. Com raras exceções, é a ideia de proximidade do cotidiano e a vida prática das pessoas que mais interessam ao eleitor mediano. É um jogo de convencimento em que a interação interpessoal e a conversa olho no olho e ao pé do ouvido tem peso singular.

Por essa lógica, disputas pela cadeira de prefeito, vice e vereadores de municípios pequenos e médios (a maioria) dependem muito mais do corpo a corpo do que da internet e da comunicação de massa. Até porque nos rincões do Ceará adentro, Brasil afora, o sinal de internet, quando há, é sofrível ou não oferece banda larga.

As particularidades de uma eleição municipal aumentam, portanto, a demanda por sola de sapato em caminhadas, visitas, reuniões locais e demais tipos de interação política. Em outras palavras, não é impossível, mas é muito pouco provável um cenário do tipo sem aglomerações, temerárias em tempos pandêmicos.

Estima-se que, neste super atípico 2020, mais de 500 mil candidatos concorram nos 5.570 municípios. A máquina de caça ao voto será acionada por cerca de cinco milhões de cabos eleitorais. As estimativas são da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Em linhas gerais, é esse o retrato do processo eleitoral deste ano.

Na semana passada, o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que transfere as eleições para os dias 15 (1º turno) e 29 (2º turno) de novembro. As datas originais são 4 e 25 de outubro.

Serão 42 dias de diferença. Será o suficiente para que as curvas de infecção e óbitos recuem, ao ponto de oferecer um ambiente de segurança sanitária?

Lembremos que não estamos falando somente dos dias de votação, propriamente. E sim de toda a extensão da campanha, que pelo novo calendário que está sendo proposto começa no dia 29 de setembro.

E ainda temos o agravante da disparidade de situações, dependendo do estado ou do município, dada a grande dinâmica com que a Covid-19 avança sobre o mapa do País.

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