A dor e a queda do “feiticeiro”

Wizard sofreu, na internet, movimentos de boicote Fabiano Accorsi/Divulgação

Carlos Wizard, o “feiticeiro”, não é mais conselheiro do ministério da Saúde, onde assumiria a secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Neste final de semana, o empresário defendeu a recontagem de mortos pela Covid-19.

O agora ex-conselheiro chegou a afirmar que secretarias estaduais da saúde estariam inflacionando números de óbitos em busca de mais orçamento do governo federal.

Com fortes e imediatas reações, a situação de Wizard ficou insustentável.

O Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), por exemplo, acusou o empresário de “tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19”.

No Ceará, um dos cenários mais dramáticos na guerra contra o coronavírus, uma nota de repúdio, alinhada ao CONASS, reuniu mais de 180 médicos.

Sérgio Pessoa, da Associação Cearense de Gastroenterologia (ACG), um dos organizadores do abaixo-assinado, chamou a atenção para a falta de transparência e o obscurantismo do governo Bolsonaro.

Esse é o ponto. Em meio a uma montanha de cadáveres, o ministério da Saúde está sendo acusado de sonegar e omitir informações. Se confirmada, a prática pode caracterizar crime.

Além da gravidade em si da suposta manipulação de dados, é inadmissível que se insira no cenário já muito tenso, politicamente, a discussão entre número de mortos e repasses financeiros a estados.

Bilionário, Carlos Wizard é do tempo em que empresário só entendia de ganhar dinheiro.

Fiel a este princípio, o “feiticeiro” deixou o ministério após surgirem na internet movimentos de boicotes a marcas ligadas a ele.

Diz a máxima de que “o bolso é o órgão do corpo humano mais sensível à dor”. Wizard não é médico, mas entendeu rapidinho que a situação tinha ficado dolorosa demais para ele.

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